Rascunhos virtuais


06/11/2006


História de separação

“Disse adeus e chorou, já sem nenhum sinal de amor” - Paralamas do Sucesso

É madrugada. Tenta dormir por horas a fio, rolando cansado pelos lençóis, sem o menor resultado. Levanta-se e segue para a cozinha, onde encontra a mulher chorando.

Encostada na pia, costas na parede nua, as marcas roxas na pele insistem em lembrar da conversa da noite anterior.

Não existem justificativas. É hora de partir, irremediavelmente. Nem mais um segundo daquele ar deve sangrar suas narinas. Nunca mais a visão da mulher que um dia amara.

Sai. Sem motivos nem palavra, deixa a casa onde vivera nos últimos 20 anos e tenta, cabeça erguida, não olhar para a mulher, que chora.

Acende o primeiro cigarro do dia e caminha pelas ruas – horas ou dias, não sabe – até que seus pés, acusando o cansaço, pedem pouso.

O maço já acabara. Perdeu as contas, no segundo ou quinto trago, de quanto bebeu. Na TV, apresentadores sorridentes divulgavam tragédias com rostos impassíveis. Sente pena.

Tira alguns cobres do bolso e dá ao atentente, que dissumula um sorriso pálido.

A imagem da mulher, que sangra, volta a seus pensamentos com força arrebatadora. Fora a única alternativa ao saber que entre os dois não existia mais amor. Uma atitude corajosa e uma reação mesquinha, pensa, sem lembrar que, nos últimos anos, as surras sucederam-se por motivos menos nobres.

Entra em outro bar, olhos cansados, o álcool ainda nas veias. Mais um trago, ordena, de forma ríspida. Bebe sem nenhum gole. Outros. Mais outro.

Lembra da infância e de seu pai. Que morreu. Atropelado por um trêm em Minas, sua terra natal. Por segundos, acredita que morrer não é má idéia.

A faca corta o limão. Sente estranho prazer em imaginar que sua própria carne estivesse sendo cortada. Olha com anelo para a arma.

Sai, cambaleante. Tromba com uma senhora, que solta um palavrão. Vem um carro. Um tiro. Sente o sangue na boca.

Vê a mulher, ainda roxa, beijando um homem. Pensamentos. Sentimentos. E a Morte.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 16h44
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30/10/2006


Crônica de eleição

Crônica de eleição 

O melhor destas eleições é que elas, pela força da democracia, tornaram-se corriqueiras, cotidianas, quase banais” - Marco Aurélio de Mello, ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)

Cinco e meia. Acorda, olhos despertos, forçando o corpo a erguer-se da cama quente. O vento gelado bate nas costas nuas e joga um jato de realidade nas carnes que, cansadas, ainda insistiam em permanecer alheias ao dia que começava.

Arruma a barraca. Mais um dia. Boas expectativas. Dia que promete sol e muito calor. As vendas serão boas. Como nos jogos de futebol.

Chega. Seis e meia e tudo está pronto. Outros companheiros aproximam-se. É esperar o momento das coisas começarem pra valer.

Pelas sete e quarenta começa o movimento. Pessoas com camisas amarelas e vermelhas se achegam, esperando os portões abrirem-se. Começam, também, as vendas. Refrigerante e pastel para todo mundo. Menos pra ele, porque ainda são sete e cinquenta e nenhuma lei fará com que deixe de tomar aquele conhaque para rebater a friagem.

Pelas nove chegam os primeiros votantes. Bermudas e roupas leves, sorrisos nos rostos. De rabo de olho, ouve uma jovem que programava, com o namorado, a visita a um dos clubes da cidade. Famílias entram com seus filhos, menores e maiores. Fala-se de futebol, de mulheres, carros e da falta da cerveja.

De longe, como uma casta, os de camisa amarela e vermelhas apenas observam. Pessoas entram e saem. Muitos pastéis e refrigerantes vendidos. Por um momento, pára. Deixa o negócio com um companheiro por alguns minutos e toma corpo na multidão. Entra. Pedem um documento. Espera alguns segundos. Adentra uma sala, aperta três botões, sai.

A barraca espera. Mais vendas.

Seis da tarde parte rumo à sua residência. Beija seu filho pequeno, a mulher, não sem um leve carinho nas nádegas, e vai ao banho. Depois do jantar, em família, liga a TV. Um repórter, com aquela música especial, anuncia que o Brasil já tem novo presidente.

Desliga a TV, coloca a criança na cama e chama a patroa para dormir. Afinal, amanhã é mais um dia.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 21h12
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22/10/2006


O adeus do melhor do mudo

Maquinados leitores, navalhas leitoras

Não sou o que se pode chamar especialista no assunto, mas hoje terminou a carreira do maior piloto de todos os tempos. 22 de outubro ficará marcado para a história como o dia em que Michael Schumacher, heptacampeão mundial, deixou as pistas da Formula 1.

Na modesta opinião deste entusiasta da F-1, o piloto alemão alia técnica, raça, capacidade e conhecimento do carro e do mundo da F-1. É competitivo e entra em campo para ganhar, sempre. Não brinca quando o assunto é competição.

Muito se fala sobre Ayrton Senna e Schummy. Não há comparação. Schummy foi mais e melhor. Em minha modesta opinião, Senna estaria entre os dez maiores pilotos da história...atrás de Emerson Fittipaldi, Nelson Pichet e Alain Prost, entre outros. E Michael Schumacher, absoluto, uma espécie de Pelé da Formula 1, um gênio que dificilmente será batido nos próximos séculos.

Na imagem abaixo, o melhor jogador e do melhor poloto de todos os tempos

Massa!!!

E já que estamos falando de flores, chamou também a atenção a boa atuação de Felipe Massa. Embora seja um piloto levemente insosso, parece que alguns meses na companhia do melhor do mundo de todos os tempos ajudaram no desenvolvimento do piloto de Botucatu. Talvez não chegue no naipe de Senna e Pichet, mas pode faturar algumas vitórias e vir a ser, com um pouco de sorte, campeão do mundo.

Alonso

Bi-campeão mundial, Fernando Alonso tem tudo para ser o nome da vez nos próximos anos da Formula 1. Sereno, equilibrado e bom de braço, o espanhol já entra como favorito para a próxima temporara, quando correrá pela Ferrari. O desempenho no Brasil foi perfeito para quem queria ganhar o título.

Barrichelo

Na redação do BOM DIA, conversando sobre F1, cunhei uma alcunha excelente para o piloto brasileiro. Rubinho, que, como o nome diz, é um pilotinho bonzinho e engraçadinho, é um Ricardo Patrese melhorado. Barichello não é ruim - mas também não é ótimo. É um piloto mediano que não conseguiu chegar mais longe por suas próprias incapacidades e pela incrível falta de sorte.

Ainda resta a ele mais um ano. ao menos, na F1. Veramos o que o pé de chinelo fará na próxima temporada. 

Escrito por Eduardo Schiavoni às 21h32
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Googladas

Nobre leitor, caríssima leitora

Você sabe, como leitor consciente e antenado, que o mundo dos jornalistas é muito engraçado. Eu, um dos exemplares da raça estranha, tenho a mania de pesquisar, com relativa freqüência, notícias relacionadas ao meu nome nos sítios de buscas. Dou uma googlada pelo menos duas vezes por semana no termo "Eduardo Schiavoni" para ver o que acontece.

Normalmente o que rola é muitos sítios dos jornais onde já trabalhei ou das matérias que já fiz. Alguns sítios que pegam as matérias e reproduzem, citando a fonte, e algumas outras ligações de sítios constrídos por mim mesmo.

Na googlada de hoje, porém, encontrei meu primeiro texto do BOM DIA publicado em outras cidades. Uma matérizinha boba sobre o Fernando Henrique Cardoso e as besteiras que ele tem dito nos últimos tempos. O site, CEM BANANAS, do Espírito Santo é bem legalzinho e vale uma olhada.

A matéria original, publicada no BOM DIA Rio Preto de 17 de Outubro, segue abaixo:

FHC polemiza sobre privatização e atrapalha campanha do PSDB

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) causou – como de costume –problema para a já combalida campanha de Geraldo Alckmin à Presidência da República.

Em uma entrevista à rádio CBN, FHC afirmou, ao defender as privatizações de seu governo, que não era contra a venda da Petrobras, a maior estatal brasileira.

Após dizer que Alckmin não iria privatizar a empresa, ele deixou escapar no diálogo a frase “não sou contra a privatização da Petrobras”.

No final da tarde, ele divulgou nota desmentindo a informação, mal interpretada, segundo ele, por problemas na entrevista.

“Um cacoete de linguagem, de minha parte, e uma transcrição imprecisa da entrevista [...]deram origem a um mal-entendido sobre minha posição”.

Para petistas, a errata não foi suficiente. Marco Aurélio Garcia, presidente do PT, condenou o ato. “Pode até ser uma falha, mas tem a cara do PSDB”, disse.

FHC havia divulgado, no último mês, uma carta em defesa do PSDB que causou constangimento a Alckmin.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 21h03
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17/10/2006


Sobre PSDB

Amigos

Como não escrevo neste blog há séculos, resolvi colocar um assunto interessante para o debate de todos. Meio tardio, evidente, mas ainda assim atual. Vamos a ele.

Falar sobre Lula e Alckmin é uma questão de opinião. Respeito as opiniões diferentes (ou melhor, discordo e não respeito, mas tenho que aceitar que elas existem), mas não posso deixar de comentar um erro conceitual na explanação das pessoas que definem o PT como partido de esquerda e o PSDB como de direita.

O PSDB nunca foi, nem nunca será, de direita. Ele apenas utiliza algumas partes do conceito de liberal humanismo, mas deturpado com o que a esquerda tem de pior: a visão de um Estado provedor.

No Brasil, diga-se de passagem, nunca houve um partido genuinamente de direita. E me refiro à direita que fez
a Revolução Francesa e a Democracia dos Estados Unidos, firmada nos ideais de igualdade, liberdade e fraternidade. Também nunca houve uma direita que defendesse o Estado Mínimo e a livre iniciativa, com
baixa carga tributária.

Ao contrário, o Estado brasileiro sempre foi muito centrealizador. Se houve um mérito de Collor, e posteriormente de FHC, foi o inicio das privatizações e da diminuição do tamanho do Estado. Não houve, porém, a respectiva redução de impostos.

Evidente que algumas áreas, quando lucrativas, podem ficar sob a tutela do Estado.  Mas com regras rígidas e pertinentes à iniciativa privada, como competitividade.

Você cita o caso da Vele do Rio Doce. Exceto as negociatas do poder, e talvez o baixo preço pago, não vejo onde a privatização foi ruim para o Brasil. Sob a iniciativa privada, mas nacional, diga-se, ela tornou-se uma das três maiores indústrias do setor no mundo e emprega oito vezes mais trabalhadores.

Se tivesse coragem para implementar adequadamente o estilo liberal, o PSDB seria um grande partido. O mal é justamentye a tendência de social democracia, de esquerda, que impregna o partido.

Critica-se muito a direita em nosso país. Mas nunca tivemos direita. Critica-se às vezes por modismo, às vezes por um endeusamento da esquerda, que combateu a ditadura (que não era de direita, diga-se), mas só conhecemos versões torpes de populismo, com inclinações do Estado protecionista. A direita nunca foi isso.

Enfim... qualquer dia, e com quem quiser, me alongo sobre o tema.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 13h58
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04/09/2006


with or whithout you

I can live...with or without you...

Frase bonita, não? É de uma música dos anos 70 ou 80, não lembro agora. Mas a verdade, retratada tão bem pelo escritor da letra, é que ninguém é insubistituível. É lindo pensar isso, algumas vezes. Em outras, é trágico.

Este fim de semana estive em Ribeirão, onde exerci o sagrado sacramento da butecação e da pós-graduação, não necessáriamente nesta ordem, e passei também no glorioso jornal A CIDADE, onde por quase um ano exerci minhas atividades.

Os problemas, os chefes, as preocupações, as babaquices, enfim, tudo continuava na mesma. Tudo como d´antes no quartel de Abrantes, diriam os mais críticos.

Outro dia papeava com Evandro Spinelli, meu chefe imediato, quando voltávamos a Ribeirão, e entre os comentários vários, pra rimar, falamos sobre nossas matérias. Ele um repórter experiente, com passagens pela Folha Ribeirão, eu praticamente um novato nas redações. Ele havia feito uma matéria sobre irregularidades no IPM de Ribeirão há mais ou menos um ano e meio, antes de eu entrar no A CIDADE, portanto.

Tive que fazer uma matéria sobre o mesmo tema. Pesquisei e, embora tivesse feito uma matéria muito semelhante, sobre o mesmo assunto, achei uma do Evandro no sítio do jornal. Eis que, após trocar duas aspas (que eram dos mesmos personagens, diga-se de passagem), pude publicar a matéria na íntegra, quase sem cortes nem adequações.

Aposto que hoje, se a Veridiano Ribeiro, que ficou no meu lugar, precisar de uma matéria sobre o assunto, bastará trocar novamente as aspas e adequar, uma segunda vez, o texto.

Na verdade, muito poucos de nós, jornalistas, conseguem desenvolver todo seu potencial. Dos que conseguem, poucos entram para a história e, embora alguns modifiquem os paradigmas do jornalismo, nenhum é insubistituivel. Porque ser jornalista é saber contar histórias e, por mais sensacionais que sejam os contadores, as histórias são maiores, e sobrevivem sem eles.

A história, pois, é o que realmente importa. Os escribas, que somos nós, jornalistas, insistimos em tentar capturar a glória das histórias para nossas próprias vidas. Mas muito depois que deixarmos este mundo, as histórias permanecerão, independente de quem ganhe para contá-las

Escrito por Eduardo Schiavoni às 14h29
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24/08/2006


Dos sonhos

E já que falamos de sonhos, ai vai um devaneio sobre o tema.

Não se barganha com sonhos

Li essa frase na biografia Hannah, que abordava a vida de Helena Rubeinstein (ou algo assim). Ficou meio marcada na mente. Nada mais verdadeiro.

Você pode barganhar preços de coisas importantes e essenciais no dia-a-dia. Pode chorar descontos para coisas supérfulas, mas que você quer. Mas nunca pode negociar com sonhos. Mesmo amor e desejo pode ser barganhado. Sonhos, não.

Sonhos são uma matéria que o vil metal não consegue alcançar. Nada, no mais, consegue. É o sentimento único e pessoal de desejar ardentemente, por um longo tempo, algo ou alguém. Normalmente algo. Exige, mais que uma vontade, um acalento, um anelo, uma dedicação e pensamentos não só de algumas horas, mas de alguns anos.

Sentimentos e sensações podem ser comprados. Sonhos, nunca.

Ser campeão paulista de futebol não é o mesmo sentimento para um torcedor do Botafogo de Ribeirão ou do Palmeiras. Quem é botafoguense sabe que ganhar um paulista é um sonho, imaginado por toda a vida. Para o palmeirense, é só mais um campeonato.

Dinheiro não é sonho, embora participe dele vez ou outra. Só quem já sonhou sabe como é possível deixar um emprego confiável e financeiramente vantajoso pela mais que incerta carreira de poeta. Largar a mulher, dois filhos e viajar, livre e sozinho, pelas águas do pantanal.

Não se barganha com sonhos. Definitivamente.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 18h25
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Semana Boa

O que é uma semana boa?

A definição pode variar. Ler um livro interessante em uma semana, abraçar o seu pai no final de semana e tomar uma gelada juntos, rever as pessoas que ama, os lugares que viveu e encontrar, de novo, os planos que traçou e parecem perdidos.

Tudo isso não é fácil, mas acontece. Não sempre, claro, posto que a frequência é a mola propulsora da banalidade.

Acho que estou em uma semana dessas. Mais detalhes quando for possível.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 18h19
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23/08/2006


Comentários

Pois bem, companheiros. Eis que escrevi ontem sobre Internet e jornalismo e aqui estamos nós, novamente sem poder trabalhar por problemas de rede. Menos mal que é possível, agora, escrever mais algumas mal-traçadas linhas para os fiéis leitores (1) e leitoras (2) deste blog.

"Jundiaí, cidade benta. Quando não venta chove, quando não chove venta"- ditado simpático, não? Ontem os termômetros da cidade da Uva marcaram 5 Cº. Segundo os jornais locais, a sensação térmica na madrugada foi de próxima a zero grau. Frio pra caramba, como o leitor pode notar.

Por outro lado, deixando as notícias sobre Jundiaí de lado, a política brasileira recebeu ontem uma excelente notícia, que faz os mais céticos acreditarem que existe, sim, alguma réstia de esperança no meio de tanto podridão que veio à tona no Brasil de Lula. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo negou ontem o registro de candidatura a dois notórios picaretas, Valdemar Costa Neto, ex-presidente mensaleiro do PL, e João Paulo Cunha (PT), ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Se não serve para lavar a honra do Brasil, ao menos serve para diminuir a mancha na alma do brasileiro, que está cansado de ouvir falar de mensalão, sanguessugas e outros montros não menos assustadores e não ver resultado algum em prática. O TRE do Rio segue a mesma linha, e promete impedir os sanguessugas de candidatarem-se. O exemplo deveria, contudo, ser seguido por toda Justiça Eleitoral do Brasil. Ponto para São Paulo e Rio na guerra contra a picaretagem.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 14h37
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Lula forever

E já que falamos das flores...

Também assusta o índice de aprovação ao presidente Luis Inácio Lula da Silva. Um país onde 54% da população avalia um governo seriamente marcado pelos escâncalos de corrupção como "ótimo e bom" não merece ser levado com seriedade.

O professor Vicente Golfeto, figura história da economia de Ribeirão Preto, disse-me certa vez que nunca antes o Brasil possuiu um Congresso tão representativo. Citou o iluminado Ruy Barbosa para dizer que, no Império e no começo da República, tinhamos parlamentares geniais e uma população que não sabia sequer escrever. Golfeto concluiu que, hoje, tanto os congressistas quanto a população pertencem ao mesmo grupo social, numa representação fiel das essencias mais profundas do povo.

Ele não conluiu, mas eu digo aqui: povo mediocre, com legisladores e governantes mediocres. Povo picareta, com legisladores e governantes picaretas. Povo inculto, com governantes incultos e, mais importante, povo que quer ter o poder para benefícios pessoais, que elege um partido que nada mais quer do que perpetuar-se no poder para sempre.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 14h33
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Mais uma vez, PT

Aconteceu. Depois de duas semana de convívio quase diário, Matinas Suzuki Jr começou, esta semana, a saudar-me com um "boa tarde" e apertar minha mão. Hoje, 23 de agosto, meu chefe imediato, Evandro Spinelli (o homem, a lenda, o mito, segundo Matinas), veio com uma pauta de política e o Matinas, em pessoa, passou algumas orientações. Sim! Diretamente! Eu sei que é bacaca e que estou deslumbrado com pouca coisa, mas confesso que achei legal.

A pauta é sobre o PT, como não poderia deixar de ser. A mentalidade petista chega a ser tão tacanha que uma representação, protocolada pela chapa encabeçada pelo partido em São Paulo, pede que o sítio Transparência Brasil, que faz um ótimo trabalho mostrando à população a capivara de cada um dos parlamentares que buscam a reeleição, retire do ar parte da campanha que promove contra a eleção de mensaleiros.

A frase na íntegra alertava ao eleitor para que não votasse  em "mensaleiros, sanguessugas e animais da mesma família". A parte final da frase foi suprimida, atendendo ao pedido petista na Justiça.

É assustador, não fosse cômico. O partido que sempre primou pela transparência e pela ética (antes de chegar ao poder, é claro) agora trabalha publicamente para retirar campanhas pela moralidade (!!!) do Congresso Nacional. Seria hilário, não fosse absurdo e trágico.

Mais comentários sobre isso em um futuro breve

Escrito por Eduardo Schiavoni às 14h32
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22/08/2006


Sobre jornalismo

Pois bem, amigos, aqui vamos nós. E como este humilde blog ficou mais com cara de diário do que de jornalismo, vou voltar ao tema em grande estilo (pelo menos assim espero).

Após uma pane em um dos fios de eletricidade, ficamos cerca de uma hora sem condições de trabalhar. Normal, até certo ponto. Quando o problema foi sanada, voltamos às máquinas e, sem internet, fomos obrigados a botar o papo em dia por cerca de meia hora.

Em um momento de descontração, comentei com uma companheira que o que fazíamos aqui não era jornalismo, já que dependia, unicamente, da rede mundial de computadores. Minha interlocutora, sem aprofundar o assunto, disse que discordava. Não tocamos mais no assunto.

Honestamente, ainda tenho uma visão um tanto quanto romântica da arte de divulgar informações. Acho que o verdadeiro jornalismo é praticado nas ruas, no contato com as pessoas, quando o repórter descobre uma grande história nas coisas mais simples do dia-a-dia.

Entre as poucas matérias excelentes que fiz em minha curta carreira, não consigo esquecer uma em que falei com uma aposentada que estava sendo recadastrada pelo Instituto dos Previdenciários do Município de Ribeirão. Foi tão intensa a história que ela me contou, em separado dos outros repórteres, que insistiam em falar com as autoridades presentes, que não tive escolha senão fazer a matéria totalmente focada nela (veja matéria abaixo do comentário, se quiser).

Aquele dia, saindo da redação um pouco mais tarde que o habitual, fiquei feliz por ser jornalista e por contar a toda cidade o drama humano, causado pelos inumanos governantes, a uma mulher tão sofrida. Naquele dia fiquei orgulhoso do meu diploma e do meu texto, da minha mente e do jornal onde trabalhava.

Em um jornalismo de internet, todo o contato, toda a essencia da notícia, que é o ser humano, acaba se perdendo. Algumas vezes mais, outras menos, mas sempre se dissolve entre uma máscara de imparcialidade e frieza.

Espero, pois, nunca perder, ao menos na essencial, o espirito do repórter de rua, aquele que quer contar uma grande história. E geralmente, acreditem, uma grande história está em meio a pequenas sutilizas do cotidiano.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 18h29
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Eis a matéria

Previsões apontam fim dos recursos próprios do IPM até outubro, diz Pastori
Instituto, que começou ontem o recadastramento digital domiciliar de pessoas com problemas de saúde, tem déficit mensal de R$ 1,8 milhão

Eduardo Schiavoni

Dona Maria Meirelles Martins Basso tem 85 anos e mora nos Campos Elíseos. É viúva, há 15 anos, de José Alves Martins, funcionário da prefeitura que fazia a ronda na praça XV de Novembro no longíquo tempo onde as praças de Ribeirão ainda eram bem cuidadas. Ela sofre de vários problemas de saúde e está desenganada pelos médicos.

Para continuar recebendo a pensão a que tem direito, precisa fazer, duas vezes por ano, o recadastramento no IPM (Instituto de Previdência das Municipiários) de Ribeirão Preto. Até ontem, entretanto, ela tinha duas grandes preocupações: dirigir-se ao posto de atendimento da Instituição, na rua Visconde de Inhaúma, para provar que está viva e, mais importante, saber se o IPM terá condições de - caso vença a descrença dos doutores - continuar pagando seu benefício.

A primeira delas foi resolvida ontem - a Prefeitura anunciou que o recadastramento dos aposentados e pensionista sem condições de saúde para locomoção está sendo feito na casa dos contribuintes, e dona Maria foi a primeira a receber a benesse. Já quanto à segunda questão, a situação parece mais difícil de ser resolvida.

O repasse ao IPM, somadas todas as fontes, é de R$ 4,8 milhões mensais. A autarquia, entretanto, tem um gasto total com aposentadorias e benefícios que gira em R$ 6,5 milhões. A diferença vem sendo suprida, há alguns anos, do dinheiro para investimento que o IPM ainda tem em caixa.

”Achei muito bom eles virem aqui para fazer o cadastro. Se não, ela teria que ir de táxi, e é muito caro. Só espero que o IPM continue pagando em dia”, conta Maria Irene Basso, 63, filha de dona Maria.

Crítico

No total, estima-se que o Instituto tenha cerca de R$ 20 milhões em reserva. Computados processos já perdidos, mas não pagos, e o déficit mensal, as previsões da Prefeitura apontam que as reservas da autarquia são suficientes apenas até dezembro. Depois dessa data - se nada mudar - a Prefeitura terá que arcar com a diferença entre o que é repassado e o que é gasto mensalmente no IPM, algo em torno de R$ 1,7 milhões mensais além dos repasses atuais.

"Sabemos que a situação é crítica, e estudos indicam que temos reserva somente até outubro. Elaboramos um plano para recuperação de longo e médio prazo do IPM, e ele será enviado ao Prefeito na próxima semana. A situação terá que ser modificada, e iremos oferecer algumas alternativas", apontou Paulo Pastori (PSC), superintendente da autarquia.

Já de acordo com o prefeito municipal Welson Gasparini (PSDB), o IPM encontra-se em uma situação muito delicada. "O IPM está completamente quebrado. Pelo cálculo que tem sido feito, a Prefeitura terá que mandar dinheiro, depois de setembro, para garantir o pagamento dos aposentados. Estamos fazendo um levantamento, mas os cálculos deixam a gente muito apreensivo mesmo", afirma o alcaide.

Opção

Entre as "opções" sugeridas pelo superintendente, estão o aumento na alíquota de repasse da Prefeitura sobre a folha de pagamento e o pagamento de porcentagens adicionais, por tempo determinado, para suprir as deficiências do IPM e aumentar o total de recursos em poupança do Instituto (ver box nesta página).

"É uma situação difícil, mas o IPM é viável e não vai deixar de pagar ninguém. Estamos estudando as medidas a serem tomadas para escolhermos, entre opções trágicas, a menos agressiva", informa Pastori.
Dona Maria Irene espera que, assim como sua mãe, que está a vencer a determinação dos médicos em desenganá-la, Pastori também consiga realizar o “milagre” a que se propõe.

Box 1
Recadastramento é obrigatório

O recadastramento no IPM é obrigatório e deve ser realizado duas vezes por ano, normalmente em janeiro e julho, e os aposentados ou pensionistas que deixarem de comparecer correm o risco de perder o benefício.

Em 2006, o processo foi atrasado para a implantação da biometria digital, que identifica os aposentados através da impressão digital. Dos 3080 aposentados e pensionistas do IPM, apenas 270 não compareceram na primeira chamada do cadastramento, sendo que, destes, 70 tiveram motivos de saúde e serão recadastrados em suas residências. Os outros 200 têm até 31 de março para legalizarem sua situação.

A convocação ocorre em ordem alfabética e é enviada pelo correio ao beneficiário. Para Paulo Pastori, a biometria - e o cadastro em casa - trará benefícios aos munícipes. "O sistema de biometria digital trará mais rapidez ao atendimento, simplificando a vida do servidor aposentado e acrescentando maior confiabilidade aos dados”, informa.

Box II
Aumento do repasse da Patronal pode ser solução

Uma das opções estudadas pela administração municipal para resolver a situação do IPM é o aumento da alíquota repassada pela Prefeitura ao Instituto, que hoje corresponde a 17% da folha salarial da autarquia. A primeira proposta é o aumento para 22%.

Na prática, a medida significa que a Prefeitura, que hoje repassa aproximadamente R$ 1,1 milhão por mês ao Instituto, aumentará sua participação para R$ 1,43 milhão.

Pela proposta, os funcionários não sofrerão - ao menos por enquanto - aumento na tarifa descontada em folha. Atualmente o repasse ao IPM, somadas todas as fontes, é de R$ 4,8 milhões para um gasto total com aposentadorias e benefícios de R$ 6,5 milhões.

Os recursos para cobrir a folha de pagamento do IPM são compostos pela cobrança de 11% de contribuição, em folha, do servidor municipal e 17% da patronal, o que totaliza 28% do total da folha de salários do Instituto.

A lei determina que a cota patronal pode ser até duas vezes o valor pago pelo empregado, o que abre margem para repasses na ordem de até de 33% da folha, percentagem que será atingida caso a medida seja implementada.

Além do aumento na alíquota, o superintendente do IPM, acredita que a administração deverá repassar um valor adicional fixo para amenizar a situação da autarquia. “Estou elaborando um plano, que será discutido nos próximos dias, para fixar esse valor extra", afirma, acrescentando que o Instituto está "usando reservas já há algum tempo" e que a resolução “não resolve, mais ameniza” os problemas de caixa do IPM.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 18h29
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21/08/2006


OBRIGADO

E por falar em leitores, alcençamos a íncrivel marca de 1000 leitores esta semana. Fico muito feliz e honrado, ainda que eu saiba que 40% dos acessos são meus mesmo. Aos outros quatro companheiros que acessam o blog, muito obrigado.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 21h34
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Pequeno resumo da vida jundiaiense

Não dá pra reclamar muito da vida de Jundiaí. Exceto o fato de trabalhar mais, a cidade ser morta depois das 23horas (mais ou menos a hopra que saímos do jornal), não ter um boteco que fique aberto e as pessoas não estarem muito dispostas a contatos amigáveis, dá pra se encarar na boa. Fácil, não?

Vejo com ótimas perspectivas, também, o trabalho. Pode ser uma impressão errada, admito, mas também pode ser que eu esteja certo. O conceito de rede implantado no BOM DIA é único em todo o país, o que pode abrir boas oportunidades para quem conseguir se inteirar do que acontece aqui (mas falo entender mesmo, em uma visão global de todos os aspectos da produção).

Tem horas que vejo os companheiros trabalhando meio em série, sem se dar conta do que pode acontecer se a idéia der certo. Não fosse a perspectiva de aprender, o trabalho aqui se esgotaria em si mesmo em seis meses. Não fosse a perspectiva de crescer, depois disso não haveria motivo para ficar. Parece que não é o caso, e é nisso que estou apostando. O tempo dirá se é um tiro certeiro ou uma aposta válida, mas abaixo do esperado.

Outra boa notícia é que Jundiaí deixa em forma. Nunca andei tanto na minha vida! As ruas são de ladeira, algumas íngremes, e as distâncias, em que pese não serem colossais, correspondem a boa dose de exercício (vir para o jornal de casa é uma tarefa que consome ao menos 15 minutos. Até a rodoviária, 25). Como resultado disso - e do fato de fazer apenas uma (boa) refeição ao dia, complementada com alguma fruta de tarde, fez com que eu perdesse quase 3,5 quilos! Sim! Acreditam?

Confesso que o sobre-peso me preocupou pela primeira vez. Subi na balança e fiquei realmente estarrecido. O caminho é longo e árduo, mas espero chegar lá até o final desse ano.

Outro ponto complexo são os plantões. Além de cansativo (fecho esporte, que é uma pauleira só, embora seja legal de fazer), isso exige que eu falte algumas vezes das aulas da Pós, sempre aos sábados. Nem sempre é bom. Nos demais finais de semana, vou pra Ribeirão, por conta das aulas. Além de fazer com que eu tenha poucas oportunidades para conhecer um pouco melhor Jundiai, a rotina lá é corrida e chego na segunda tão cansado quanto saí. E sei que será assim até o final do ano, o que me deixa um pouco preocupado.

De resto, moro com quatro caras bacanas, que trabalham comigo. O Evandro Spinelli, chefe imediato, além de ótimo repórter é um bom companheiro. Os demais caras são muito tranquilos e, até hoje, nunca tive problema com nenhum deles. Identifico ao menos um deles que pode se tornar um grande amigo - e acho que a afinidade é mútua.

Bom, tá ai. Um pequeno resumo da minha vida. Meio boiola, claro, e fora de propósito, mas ainda bonitinho.

Escrito por Eduardo Schiavoni às 21h30
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